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18 de Maio de 2021

O ovo da serpente

Adilson Luiz
Publicado por Adilson Luiz
há 7 anos

O fantástico cineasta sueco Ingmar Bergman procurou analisar a gênese do nazismo no filme "O Ovo da Serpente" ("Das Schlangenei", 1979). Ali estão: a decadência econômica e a consequente degradação social, que são os ingredientes básicos do desespero, que é a matéria-prima com a qual líderes carismáticos moldam o ódio racial.

Vários historiadores apontam o Tratado de Versalhes como origem da II Grande Guerra. Afinal, a Alemanha sofreu tantas sanções e restrições que praticamente perdeu o controle de sua economia. A crise de 1929 só agravou a situação.

Hitler foi origem ou consequência daquela conjuntura? Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

O fato é que Hitler aproveitou-se da crise dos anos de 1930 para implantar seu modelo político totalitário e expansionista. Ampliou as fronteiras da Alemanha, com a desculpa da unificação germânica, assegurando fontes de matéria-prima para fomentar a recuperação industrial e econômica de seu país. Alguns historiadores ponderam que se ele tivesse parado por aí, poderia ter sido considerado um dos maiores estadistas da história! Porém, ele trazia consigo o"gene"da loucura.

Recuperou o orgulho nacional de seu país, ao exaltar os grandes personagens germânicos e propalar o ideal da supremacia ariana. Tornou a propaganda uma arma poderosa! Mas perseguiu intensiva e cruelmente todos os que se opunham aos seus projetos. Transformou crianças em máquinas de odiar e lutar, com sua"Juventude Hitlerista". Também não teve escrúpulos ao extrapolar seu ódio por pessoas para raças inteiras, e tornar-se um dos maiores genocidas modernos. Conseguiu o poder supremo e tornou-se um símbolo inquestionável, superando sua inspiração inicial: Mussolini; igualando a"divindade"de outro de seus aliados: o imperador Hirohito; e selando uma paz oportuna com o seu maior rival: Stálin, outro grande genocida, só que de patrícios.

A anexação da Áustria foi o início; a invasão da Polônia, o estopim; a invasão dos Países Baixos, a derrocada da França, com Linha Maginot e tudo; a Batalha da Inglaterra, o fim da"guerra relâmpago"; o massacre de judeus, ciganos e outras minorias, a principal marca da insanidade do nazismo; a abertura da frente russa, um erro “napoleônico”; a derrota no norte da África, um golpe na infalibilidade de seu maior líder militar: Rommel; e o desembarque aliado na Normandia, o princípio do fim.

Hitler e todos os seus aliados foram derrotados incondicionalmente!

O Eixo protagonizou grandes massacres! Também foi vítima de outros, como os de Dresden, Hiroshima e Nagasaki.

O saldo do maior confronto bélico de todos os tempos incluiu a destruição de cidades inteiras e milhões de mortes de militares e inocentes!

Não foi muito diferente da I Grande Guerra, mas teve uma virtude: os vencedores tiveram o cuidado de não repetir os mesmos erros de Versalhes, tentando evitar a incubação de novos"ovos de serpentes"!

Os ânimos foram apaziguados e Europa e Japão rapidamente reconstruídos, com o"auxílio"sombrio da Guerra Fria. Outra consequência positiva foi a decadência definitiva do colonialismo territorial, infelizmente substituído pelo ideológico, não menos terrível.

O aspecto mais dúbio desse conflito, como de vários outros, foi que muitas das tecnologias que os dois lados desenvolveram para o extermínio em massa, mais tarde, ironicamente, serviram para beneficiar a humanidade. Mas que ninguém exalte qualquer guerra por isso!

Ainda existem muitos"ovos de serpente" sendo postos pelo mundo, até perto de nós!

O ódio, a ganância e o fanatismo os fecundam, incubam e lhes dão à luz para que espalhem seu veneno! Somente o diálogo e o respeito ao próximo são antídotos capazes de neutralizar seus efeitos. Porém, isso depende do grau de conscientização dos povos e da sanidade e interesses dos poderosos da vez.

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