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3 de Junho de 2020

Plano de contingência

Adilson Luiz
Publicado por Adilson Luiz
há 5 anos

A questão da segurança ambiental, ainda mais nos tempos atuais, é fundamental! Assim, não se admite um projeto que a negligencie, em seus múltiplos aspectos. E quanto maior o risco das atividades previstas, mais criteriosos devem ser os sistemas de segurança, em todas as suas fases: concepção, projeto, execução, manutenção e atualização tecnológica e operacional, incluindo planos de contingência!

Segundo o sítio “conceito. De”: “Um plano de contingência é um tipo de plano preventivo, preditivo e reactivo. Apresenta uma estrutura estratégica e operativa que ajudará a controlar uma situação de emergência e a minimizar as suas consequências negativas”.

O “preventivo” e o “preditivo” tentam evitar, enquanto o reativo só é acionado em situação de crise. Obviamente, os primeiros reduzem a necessidade do terceiro.

Os acidentes e consequências de Three Mile Island, Bhopal, Chernobyl e Goiânia poderiam ter sido evitados? É óbvio que sim!

Então, por que não foram?

Bem, aspectos corporativos e institucionais talvez expliquem.

No caso da primeira detonação de bomba atômica, no deserto de Nevada, havia uma “ignorância prática” de seus efeitos, embora cientistas já tivessem sofrido efeitos nefastos da radiação desde Marie Curie. Daí a mandar soldados entrarem na área contaminada, para simular uma guerra nuclear... Isso foi nos anos de 1940 e 50. Mas, quem leu o livro “Cabeça de Turco”, de Günter Wallraff, ícone dos anos de 1980, soube que imigrantes turcos eram usados para limpar áreas radioativas em usinas nucleares alemãs, sem conhecerem os riscos!

Pois é... Muita gente acredita que “Deus é brasileiro”, mas não dá para contar com isso em projetos e operações que envolvam riscos ambientais potencialmente dramáticos.

O trinômio virtuoso: projeto-manutenção-atualização é indispensável para reduzir riscos e mitigar efeitos! A ele deve ser agregada a conscientização de todos os envolvidos direta ou indiretamente, internos e externos, colaboradores ou habitantes do entorno.

É o caso principalmente de represas, usinas nucleares, instalações industriais ou de estocagem de produtos químicos, e outras atividades que apresentem risco de explosão, contaminação ou poluição.

Em 2013, vários armazéns de açúcar incendiaram no Porto de Santos. Porque o incêndio não ficou restrito ao foco inicial?

No mesmo ano, um armazém de fertilizantes também sofreu incêndio, em São Francisco do Sul – SC. Houve necessidade de evacuação da população próxima!

O que eles têm em comum? Ambos ocorreram em áreas portuárias ou próximas a elas.

E o que dizer do incêndio em terminal petroquímico de Santos – SP, já considerado o segundo pior do mundo? Por muito pouco não houve uma tragédia!

O fato é que as consequências sempre são graves, com custos tangíveis e intangíveis significativos, que prejudicam a economia e, sobretudo, arriscam vidas. De louvável, apenas o heroísmo de brigadistas e bombeiros.

Então, priorizando as ações preventivas e preditivas antes das reativas, algumas perguntas que devem ser respondidas pelos atores envolvidos são: Há estrutura suficiente e eficiente para combater eventuais sinistros? Existem planos de contingência? Como é feita a fiscalização?

As respostas certas, aliadas a projetos e equipamentos adequados, constantemente mantidos e atualizados, permitirão que tenhamos menos prejuízos, saúdes e vidas poupadas e menos heróis.

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